Bill Gates Tem Razão

Você abriu esse post e deve estar perguntando o que o Bill Gates está fazendo nesse site. Será membro de alguma família descrita aqui?

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Sempre admirei o Bill Gates, mesmo sabendo que ele está passando um pouco de moda. Ontem li sobre um estudo conduzido pela companhia Comparisun afirmando que, hoje não há nenhum, mas pelo menos onze bilionários atuais poderão um dia se tornar trilionários. Isso quer dizer que cada um deles vai chegar a ter uma fortuna de pelo menos um trilhão de dólares antes de morrer! É fácil?

Jack Ma, Jeff Bezos, Mark Zuckerberg

Entre os onze estão: Seis americanos, Jeff Bezos da Amazon, Mark Zuckerberg do Facebook, Larry Page e Segey Brin da Google, Seve Balmer ex-Microsoft and Michel Dell da Dell. Três chineses, Xu Jiayin da Evergrande um conglomerado da área imobiliária, Jack Ma da Allibaba e Ma Huateng da Tencent um conglomerado de tecnologia. Um Indiano, Mukesh Ambani da Reliance um conglomerado de energia, telecomunicações, varejo e outros. Um francês Bernard Arnault da LVMH um conglomerado que inclui marcas como Luis Vuitton and Moet Hennessy. Na minha opinião esqueceram de incluir na lista o Elan Musk, aquele que quer colonizar Marte, creio que ele também pode chegar a ter um trilhão de dólares algum dia.

Mas, o Bill Gates também não está entre os onze! Sabe porquê?

John Rockefeller, Andrew Carnegie, Cornelius Vanderbilt

Porque seguindo exemplo de notáveis americanos como Andrew Carnegie, famoso por dizer: “homem que morre rico, morre desonrado”, John D. Rockefeller, John Hopkins, Cornelius Vanderbilt e muitos outros decidiu, ele que já foi o homem mais rico do mundo, doar à causas filantrópicas, enquanto viver, 99% de toda sua fortuna. Mas não parou aí convenceu Warren Buffet outro que também já esteve no topo da lista dos homens mais ricos do mundo, a fazer o mesmo e doar 99% da sua fortuna à obras filantrópicas. Não é para admirar uma pessoa dessas?

Warren Buffet, Bill Gates

Nunca me esqueço de duas entrevistas que assisti do Bill Gates. Na primeira, quando a Microsoft estava ainda começando ele decidiu parar de ser um fornecedor da IBM, para se transformar em competidor. O entrevistador perguntou: Mas como você pretende com uma companhia tão pequena como a Microsoft, competir com o gigante que é a IBM? Ele simplesmente respondeu: A IBM está com uma estratégia errada. Na época fiquei de queixo caído, porque ele estava pondo em risco a Microsoft inteira e tudo que tinha. Anos depois o tempo lhe deu razão.

Mais tarde ainda, na segunda entrevista, falando de suas causas filantrópicas, ele afirmou que hoje a humanidade está vivendo os melhores tempos desde o surgimento do homem. Quando ouvi isso, pensei, os melhores tempos? Com tudo que está acontecendo no mundo? Achei que poderia ser, mas tinha muita dúvida.

Bem essa dúvida se dissipou quando decidi na sorte tentar encontrar registros de meu avô italiano e de meu bisavô português.

Nesse ponto a estória vira de ponta cabeça e é convertida em história, não de homens ricos, milionários, bilionários, mas exatamente o contrário, uma história de famílias pobres sem nada que viviam na Europa no século 19.

Portugal para minha surpresa, tem disponível na internet em forma digital registros de batismos de praticamente todas as igrejas do país. Decidi sem saber direito, pesquisar os registros de algumas dessa igrejas para ver se encontrava o registro de nascimento do meu bisavô. O período que escolhi foi o final do século 19, entre 1880 e 1900.

Do meu bisavô nada encontrei, mas foleando os registros digitais, notei que muitos registros de batismos também traziam ao lado a data do falecimento. Em vários casos o falecimento ocorria no mesmo ano do nascimento ou no ano seguinte. Em outras palavras muitos recem nascidos não chegavam a completar seu o segundo aniversário, alguns nem o primeiro. Sem contar é claro os nasci mortos, que creio nem eram registrados, ou os casos de mães que faleceram durante o parto, cujo falecimento era anotado no registro da mãe e não naquele que estava na minha frente. Também encontrei vários registros indicando que a mãe era solteira. Só posso imaginar as consequências disso para uma mulher naquela época.

Vários registros indicavam logo abaixo do nome do recém-nascido: Grátis por serem pobres. Pensei no que isso queria dizer e acho que o registro foi feito sem pagamento porque os pais não tinham dinheiro para pagar o batismo. Imagine, não ter dinheiro para pagar o batismo do filho! Além disso os registros de batismos informavam a profissão do pai e da mãe. Muitos eram jornaleiros o que quer dizer eram pagos por jornada de trabalho, por dia. O dia que não podiam trabalhar nada recebiam. Esse tipo de profissão também notei era comum na Espanha.

A conclusão que tirei dessa minha breve pesquisa é que realmente o Bill Gates tem razão. Quando vejo como viviam as pessoas a 120 ou 140 anos atrás e quando penso nos imigrantes que arriscavam tudo, até a vida, para tentar algo melhor no novo mundo, tenho certeza que esses imigrantes europeus na grande maioria dos casos, estão hoje muito melhor do que seus antepassados.

É claro que péssimas condições de vida ainda persistem em grande parte do mundo principalmente na Africa, America, India e Asia. Os imigrantes que hoje arriscam tudo para tentar a vida na Europa, nos EUA ou até mesmo no Brasil, é porque também não têm nada, mas pelo menos sabem para onde estão indo. Tenho certeza que os italianos, portugueses e espanhóis que imigraram para o Brasil no final do século 19, não sabiam para onde estavam indo. Sobre isso pretendo fazer relato da imigração europeia para o Brasil, descobri muita coisa que mesmo tendo antepassados que imigraram, nem tinha ideia do que foi essa saga.

Tem uma estória para contar? Envie-nos um email e publicaremos.

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