Antes de começar vou pedindo desculpa a todos os Brasileiros por trazer à memoria a Copa do Mundo de 1950. Eu sei que foi doloroso, arriscaria dizer que foi até mas doloroso do que os 7 a 1 contra a Alemanha na recente Copa do Mundo de 2014.
Para aqueles que não sabem do que estou falando, porque talvez não acompanham o futebol, deixe-me explicar. Futebol é a paixão dos Brasileiros. A Copa do Mundo de 1950 assim como a Copa do Mundo de 2014, foi disputada no Brasil. A diferença é que em 1950 o Brasil tinha a melhor equipe da competição, chegou na final e precisava sómente do empate para ganhar pela primeira vez a Copa do Mundo. No jogo final, o Brasil marcou o primeiro gol mas acabou perdendo para o Uruguay de 2 a 1 no estádio do Maracanã, Rio de Janeiro diante de mais de 200 mil pessoas. Foi um desastre de proporções cataclismicas, pessoas chegaram a se suicidar. Na Copa do Mundo de 2014 o Brasil claramente não tinha a melhor equipe da competição e sofreu a maior derrota da seleção Brasileiras até então, 7 a 1 contra a Alemanha. Mas apesar da enormidade da derrota e também haver sido um desastre, o Brasil já havia nessa época ganho a Copa do Mundo por cinco vezes, mais do que qualquer outro país. Assim sendo, nesse caso não houve, que se saiba, suicidios.
Por isso a desculpa acima, mas vamos a estória.
Tudo começou quando eu estava tentando descobrir a data de falecimento de Giuliano Carrieri, que havia imigrado da Itália para o Brasil e havia falecido em São Paulo. Para aqueles que querem procurar as raízes de sua família, obter certidão de óbito é muito importante. Uma certidão de óbito completa além do nome da pessoa, data e local do falecimento contém o nome dos pais do falecido, local de nascimento e nome dos filhos. Em outras palavras um documento de suma importância para pesquisas genealógicas.
Eu sabia que o Giuliano tinha falecido em 1950, mas não sabia o mês nem o dia.
Foi então que decidi ligar para minha sogra, filha mais nova do Giuliano. Foi uma chamada internacional. Ela também não sabia a data, mas me informou que ele havia falecido em um domingo e que sómente as mulheres da família estavam em casa. Os homens foram todos assistir o jogo. Perguntei que jogo? Ela não sabia.
Ai pensei, 1950, jogo, todos foram assistir, só poderia ser a Copa do Mundo. Imediatamente com minha sogra ao telefone, iniciei uma pesquisa na internet, com os parâmetros: Copa do Mundo 1950, jogo do Brasil, São Paulo, domingo. Nada encontrei. O Brasil jogou práticamente todos os jogos no Rio de Janeiro. Já estava achando que não ia descobrir nada, quando pensei, espera ai, família Italiana talvez tenham ido assistir jogo da Itália. Eu sabia que a Itália também estava na competição.
Encontrei, Itália vs Suécia, estádio do Pacaembú, São Paulo domingo 25 de Junho de 1950. Era isso! Infelizmente a Itália perdeu esse jogo para a Suécia, 3 a 2 e ficou eliminada da Copa, mas agora eu sabia exatamente a data de falecimento do Guiliano. Restava então saber em que cartório em São Paulo o óbito estaria registrado. São Paulo já era naquela época a maior metrópole da America Latina e tinha vários cartórios, um problema sério de resolver.
Minha mulher teve então uma brilhante idéia. Ela ponderou, acho que o falecimento do Giuliano está registrado no mesmo cartório em que foi registrado meu nascimento. Afinal as datas eram relativamente próximas e o Giuliano morava no mesmo local que meus pais. Esse documento eu tinha, a certidão de nascimento da minha esposa. Ainda com minha sogra ao telefone, procurei a certidão de nascimento e informei ao marido dela, padastro da minha esposa, o cartório. No dia seguinte ele foi ao cartório e obteve o atestado de óbito, confirmando que, o Giuliano havia de fato falecido no dia 25 de Junho de 1950!
Com o atestado de óbito foi possível saber que o Giuliano havia nascido em Polignano-a-mare, na Itália (veja artigo sobre Polignano) em 21 de Novembro de 1878 e possível saber também os nomes dos pais dele. Foi assim que terminou a chamada telefônica e assim que começou a pesquisa para encontrar a certidão de nascimento do Giuliano. Para isso foi necessário apelar para os Mormons. Mas essa é outra estória, porque essa aqui já está muito comprida…
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