
Meu avô foi um homem corajoso, destemido, forte, viril. Deixou sua terra natal com dezoito anos de idade, foi tentar a vida nos confins do novo mundo e venceu. Nunca voltou para a Espanha, terra onde nasceu. Teve treze filhos, oito com a minha avó.
Minha avó uma mulher de ascendência Italiana, muito religiosa, me lembro bem, ia à missa todos os dias.
Os filhos que meu avô teve com minha avó, seu segundo casamento, receberam todos nome começando com a letra G, exceto a última filha, minha tia que recebeu um nome diminutivo que não começava com a letra G. Sempre tive curiosidade em saber porque, será que acabaram os nomes começando com G? Nunca entendi.
Até que um dia, em uma vista à minha tia mais velha, tudo foi esclarecido.
Ela explicou: foi para evitar a gravidez!
Como? Perguntei perplexo.
Bem, disse ela, minha mãe, católica fervorosa, nunca evitou ter filhos, mas já tinha sete, sem contar com os filhos do primeiro casamento do meu avô, que com certeza ela de uma maneira ou outra estava envolvida. Além disso estava grávida outra vez. Em suma, treze filhos, ela não queria mais. Mas como evitar seguindo as normas católicas?

Foi então que uma amiga, continuou minha tia, a ensinou. Disse a amiga: Quando seu filho nascer, dê a ele seu nome, com isso o ciclo se fecha e você nunca mais vai ter filhos. Por sorte nasceu menina, que recebeu o mesmo nome da minha avó, só que no diminutivo. Já pensou se fosse menino? Coitado, teria que passar a vida com nome de mulher.
Se a simpatia funciona em todos os casos, não posso precisar. Mas no caso da minha avó ou funcionou ou outros meios foram empregados. Nunca mais teve filhos.
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